22 outubro, 2014

O que seria de nós sem nós?

22 outubro, 2014

Essas linhas que escrevo para você não são as mais bonitas que já redigi, tampouco as mais pensadas. Por favor, largue esse violão no canto da sala e concentre-se em minhas palavras. Há quanto tempo você não visita aquela barbearia da quadra acima? Olha que eu até gosto dessa sua cara amassada que diz que virou a madrugada pensando em mim. Modéstia a parte, eu sei que você pensa. Vai, me diz, assume. Eu sei que logo de manhã quando o sol invade o seu chão amadeirado, você imagina minha sombra bem ali do lado direito da cama. Eu sei que aquelas suas risadas no bar em uma sexta qualquer foram tão amargas quanto a sua bebida. Eu sei que seus copos entornados levam em si meu jeito acanhado e melodramático. E aquele par de meias 3/4 que se deitou ao seu lado outro dia desses? Olha, essa garota não sabe que você se deita para ver o sol se pondo. Desculpe-me a pretensão, mas é que ela não saberia trilhar essa estrada de mão dupla que você é. Talvez ela chegue perto, no máximo em um abraço demorado, mas nós sempre chegamos além. Ah, meu amor, insisto em me desculpar, é que você sabe como tudo flui, você sabe da minha mão que desenha seu corpo de canto a canto, do meu sorriso que interrompe seu beijo. É que enquanto você olha disperso pela janela do trem, nossa música toca baixinho no seu ouvido, “No I won’t let you go…’. Querido, me diz, o que é a sua presença na nossa triste ausência?

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