01 agosto, 2014

Qualquer rabisco sobre o amor.

01 agosto, 2014

Mas nós sabemos como a história termina. Sim, alguém há séculos atrás disse que nada durava por uma eternidade, que na verdade, a eternidade nem sequer existia. É, você ouviu aquela música tocando no rádio qualquer dia e, por descuido ou teimosia, se deixou levar pelo ritmo lento e confiou na própria sorte. Talvez se pensássemos mais no fim, não começaríamos. Parece uma boa forma de escapar de todas aquelas fotos que sobram no fundo da gaveta, naquelas risadas que ecoam na mente, nas músicas que agora são trilha sonora do que, ao contrário do que te fizeram acreditar, não é feliz. É, não passa de um ponto final, ou até pior: de reticências. Aqueles cruciantes três pontinhos que não dizem para onde foi o que restou. Se é que restou algo. Talvez foi para o Norte, talvez para a Finlândia, talvez se escondeu embaixo da sua cama para esperar que você apague a luz, feche os olhos e dê a chance de tudo que até então parecia morto, reviver. No início deste texto falávamos de fim, passando brevemente pelo começo, mas uma hora iríamos chegar até a parte que realmente importa: o meio. Sim, todo roteiro precisa de um meio, afinal o que importa não é o destino, mas o caminho em si. O meio é sempre repleto de altos e baixos, flores e pedras, tapas e amassos, despedidas e voltas no meio da madrugada, quando tudo que queremos é aquele calor que só um abraço tem.Sabe aquela temperatura que passa por cima de qualquer cara feia sem nem pedir licença? Pois então. O meio em si, é aquela partezinha onde os personagens conhecem um ao outro, pedacinho por pedacinho, substituindo defeitos irremediáveis por qualidades inigualáveis, querendo cada um sair de si mesmo para caber num cantinho do outro, simplesmente porque ali é seguro, é tomado pela calmaria que o mundo lá fora lhe roubou. Foi nesse intermédio entre o “oi” e o “adeus” que começaram minhas noites à espera de um de seus sinais que pareciam estar em todos os lugares. Tudo bem, ainda eram 01:00 da madrugada, não havia problema em esperar seu porre dar as caras e te fazer discar meu número (que provavelmente não foi salvo nos contatos) só para dizer que sentiu minha falta durante toda aquela noite. Provavelmente você pediria licença, atravessaria a porta do bar e pisaria novamente no nosso conto de fadas, se transformando naquele cara que me tirava do chão fazendo-me acreditar que sim, de alguma forma, éramos infinitos. Mas voltamos sempre a bater na mesma tecla: o desfecho. Nunca foi fácil saber em qual das suas versões era seguro acreditar: protagonista ou antagonista? Aquele que bebe atrás da porta ou o que choraminga numa ligação na calçada? Aquele que me espera ou aquele que atravessa a fronteira por mim? Queria saber.

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