06 julho, 2015
Confusão Romântica
06 julho, 2015
Aprendi a escrever roteiros e então pensei em escrever o nosso bem aqui. Começaria mais ou menos como: você me olha naquela cafeteria naquela tarde de céu nublado com olhos que me devoram. Eu gosto disso. Você cerra os lábios tentando abafar um sorriso simpático, enquanto se aproxima da minha mesa ao lado da janela com vista para a quarta avenida. Agora já não precisa mais do disfarce, na verdade, usa esses dentes branquinhos e certinhos como cartão de visita. Nenhum “oi”, nenhuma explicação do tipo “te vi aqui e resolvi conversar”. Sorri e encara. Eu sorrio e me mantenho de cabeça baixa enquanto a vergonha queima em mim dos pés à cabeça. Consigo ouvir baixinho sua música agitada tocando no fone esquerdo, talvez a primeira pista sobre você. A segunda poderia estar nos seus fios de cabelo loiros e na pele tão branca que se irrita pelo frio, que sugere descendência do Sul. Lindo, impecável, sem dizer uma sílaba. Pego o guardanapo em cima da mesa que antes era minha e agora é nossa, anoto um caminho para você seguir naquela noite. Av. SA16, prédio azul, ap. 18, sétimo andar. - 19h30. Saio deixando para trás somente um sorriso na mesma intensidade que o seu.
Você entra no elevador e pressiona o botão que te leva até o sétimo andar, bate na porta de número 18, segue todas as regras. Traz de volta o sorriso emoldurado nessa boca vermelhinha, que em silêncio já me diz tanta coisa. Você não espera muito para invadir o cômodo e fazer um mapa intitulado como “quem ela é e o que ela gosta”, passa os olhos pelos CDs que vão de sertanejo a pop internacional, observa atento cada recorte de revista amontoado num quadro na parede, a minha verdadeira bagunça emocional. Com a maestria de um lorde, coloca no som uma das faixas de Just Keep Me Where The Light Is, se serve do vinho barato jogado na mesa de centro e me toma com o braço, faz dali mesmo, daqueles poucos metros quadrados, a nossa pista particular de dança, me conduz pelo chão de madeira como quem dança com o vento. Naquela noite fica por ali mesmo, ajeitadinho no canto que sobrava da minha cama king size. Traz um riso doce e um abraços forte logo no café da manhã, diria até que se entregou de bandeja. E, sinceramente, eu devorei.
Dia após dia, uma camisa aqui, uma gravata ali. Tá feita a nossa cena, tá feita a nossa própria confusão romântica.
03 janeiro, 2015
É sobre o cara do lado.
03 janeiro, 2015
Olha só, aquele cara lhe compôs uma música, lhe trouxe algumas flores e disse algumas frases clichês. Ele sabe como ajeitar o cabelo com o estilo Dom Juan, sabe sorrir de canto e sabe mais ainda que toda mulher se derrete com isso, sabe chegar com dez minutos de antecedência e se preocupa em abrir a porta direita do carro, sabe que mulheres preferem vinho, ao invés de vodka, sabe que aquela gravata afrouxada depois de um dia de trabalho é o convite perfeito para fazer com que alguns vestidos caiam no chão bem encerado do quarto dele. Ele sabe das manhas, sabe como funciona o jogo e joga apenas com a intenção de ganhar, nunca de perder. Ele sabe que aquele perfume, o qual ele não revela o nome, deixa bambos inúmeros pares de pernas. Ele gosta de brincar de amores e desamores como quem se importa, quando na verdade, ele só quer ter outra nova história para contar. O chamariam de cafajeste, mas prefiro chamá-lo de aproveitador. Não, não é esse aproveitador que você automaticamente imaginou, ele não brinca com o coração de virgens inocentes. A onda dele é mergulhar nas melhores paixões e sair de fininho pela porta dos fundos. Você não vai encontrá-lo naquela balada em que você frequenta com as suas amigas, não vai encontrá-lo perdido no meio da biblioteca que você frequenta toda sexta-feira, ele vive por aí, ele vai cruzar seu caminho quando você estiver contornando aquela esquina do caminho até o trabalho, ou até quem sabe, enquanto você segue com pressa, sem olhar para os lados. De antemão, ele não será aquele que vai te conquistar aos poucos, dia após dia, mas sim aquele que vai te causar uma falha repentina na respiração, que vai te fazer idealizar um novo “cara certo” e rever seus conceitos a respeito de ficar entre quatro paredes com alguém. Olha bem, repara, enxerga esse cara.
23 novembro, 2014
Sobre a sua boemia e a minha aparente esquizofrenia.
23 novembro, 2014
"Só quero um drinque, uma conversa atoa e alguns beijos e amassos" eu dizia na tentativa de acreditar em mim mesma. Sempre achei que essa máxima que afirma que tudo o que precisamos é de amor fosse um pouco sensacionalista, sempre pensei que afirmações sobre felicidade não fossem democráticas, mas sempre mutáveis.
É isso, mutação me descrevia. Talvez seja porque o resto dos caras não tinham esse sorrisão que segue milimetricamente lindo ao longo dos dois cantos dos seus lábios, esses lábios tão pigmentados que atiçam alguns dos meus instintos sacanas. Talvez porque os outros caras vivem no modo automático, forçam as risadas e se matam para conquistar, enquanto você se debruça em uma mesa de bar com qualquer piada infame. Ah, os bares. Você vive por eles. Por que isso soa tão charmoso? Boemia sempre me pareceu autêntica. Porque você é aquele cara que chega às 19:00 horas, de terno na mão direita, gravata frouxa e camisa classicamente amarrotada, e só sai quando der vontade. E foi numa dessas saídas no meio da madrugada que eu lhe acompanhei até o seu apartamento naquele edifício de classe média perto da praia. Aqueles metros quadrados tinham sua cara: um móvel rústico aqui, outro moderno de última geração ali. Uma cama amarrotada e um guarda-roupas ajeitadinho. Você se escora no meu ombro enquanto tenta se lembrar de como é que se move as pernas para andar, eu te arrasto. Te jogo na cama, assim mesmo sem dó nem piedade. Não porque minha sacanagem subiu junto com a bebida, é só que você tem o dobro do meu peso, principalmente bêbado. Tiro seus sapatos e você vira para o outro lado, eu me aconchego do outro. Você acorda quando a luz do sol raiando atravessa a fresta da janela e marca o seu rosto, rosto que agora tem cara de cachorro que caiu do caminhão da mudança, cara de que não faz ideia de onde está e nem quem é, muito menos quem sou. Talvez acordar com uma mulher do seu lado não seja uma surpresa, não na sua vida. Você fixa os olhos em mim e não diz nada, encaro os lençóis e consigo coragem para te olhar de volta. Logo me ocorre que você não foi só uma noitada no pub da 5ª Avenida, mas também não foi a noite quente de mais uma sexta-feira. Acontece que eu queria que você fosse o resto do sábado e mais 24 horas do domingo. Você consegue acreditar nisso que estou lhe dizendo? Eu queria que você continuasse ali, sendo que eu nunca quero que ninguém continue. Porque eu queria ouvir um pouco mais sobre como você conseguiu esse trabalho dos sonhos e como suas ex namoradas foram insuficientes, queria ouvir mais algumas vezes essa sua risada que mais parece a melodia daquela minha música favorita, queria saber como é que ficaria se você desenhasse essas suas mãos lisinhas e imponentes em cada linha do meu eu. Porque eu não queria planejar sobre a nossa lua de mel na terra da rainha, muito menos se o nome do nosso primeiro filho seria Dylan ou Nicolas, Marie ou Julia. Porque eu só queria saber como é que é essa coisa de ser sua.
22 outubro, 2014
O que seria de nós sem nós?
22 outubro, 2014
Essas linhas que escrevo para você não são as mais bonitas que já redigi, tampouco as mais pensadas. Por favor, largue esse violão no canto da sala e concentre-se em minhas palavras. Há quanto tempo você não visita aquela barbearia da quadra acima? Olha que eu até gosto dessa sua cara amassada que diz que virou a madrugada pensando em mim. Modéstia a parte, eu sei que você pensa. Vai, me diz, assume. Eu sei que logo de manhã quando o sol invade o seu chão amadeirado, você imagina minha sombra bem ali do lado direito da cama. Eu sei que aquelas suas risadas no bar em uma sexta qualquer foram tão amargas quanto a sua bebida. Eu sei que seus copos entornados levam em si meu jeito acanhado e melodramático. E aquele par de meias 3/4 que se deitou ao seu lado outro dia desses? Olha, essa garota não sabe que você se deita para ver o sol se pondo. Desculpe-me a pretensão, mas é que ela não saberia trilhar essa estrada de mão dupla que você é. Talvez ela chegue perto, no máximo em um abraço demorado, mas nós sempre chegamos além. Ah, meu amor, insisto em me desculpar, é que você sabe como tudo flui, você sabe da minha mão que desenha seu corpo de canto a canto, do meu sorriso que interrompe seu beijo. É que enquanto você olha disperso pela janela do trem, nossa música toca baixinho no seu ouvido, “No I won’t let you go…’. Querido, me diz, o que é a sua presença na nossa triste ausência?
30 setembro, 2014
Ah, se tu soubesses.
30 setembro, 2014
Tenho sentido sua falta, se é que posso definir assim. Acho que não. Falta eu senti quando viajei para o Sul e tive que dormir sem o meu travesseiro, quando meu melhor amigo precisou se ausentar, quando a minha série favorita ainda não tinha uma nova temporada. Senti falta daquelas coisas que eu sempre soube que voltariam. Esse sentimento que me dói durante dias é mais do que essas cinco letrinhas, é uma queimadura interna, um incomodo que não passa por mais que eu me revire na cama durante uma noite toda. Eu arrisco definir como saudade. Talvez, por que não? É que atormenta bem lá no fundo da alma e deixa cada centímetro do corpo dolorido. Dá vontade de gritar, de fazer birra, de pular de um precipício, mas logo penso: por que não gritar pra você ouvir a falta que você tem feito? Por que não fazer birra por um carinho seu? Por que não pular nos seus braços em um daqueles abraços que são tão nossos? Logo dou a resposta a mim mesma: porque talvez tenha se tornado amor, e sendo amor, é lei não ser assim tão fácil. Digo a mim mesma: garota, as risadas misturadas entre um tapa e um beijo, são leves. O sotaque mansinho dele, é leve. O compasso do seu coração perto dele, é leve. Tudo que tenha ele, é leve também. Mas nada pode ser assim tão simples, nenhum romance que se preze pode ser assim tão efêmero. É preciso dor, muita dor. Mas é preciso também muita coragem, é preciso perceber que se há um caminho para vocês dois, ele não termina aqui. Nem sempre a felicidade está a um passo. Acredite, existe um inferno antes disso.
20 setembro, 2014
E floresceu.
20 setembro, 2014
Parecia ter tropeçado em um espelho e dado de cara com o que era por dentro. Mágoas, princípios, desejos, amores e desamores. Então quis se despir daquele traje que dizia guardar alguém forte feito pedra. E se despiu. Esqueceu os receios, enfrentou os traumas e emoldurou a face com um sorriso bordado, costurado de canto a canto. Quis então que a vida fosse leve, com mais reticências e menos aspas. Quis então que, cruzando aquela esquina de todos os dias, seu riso se misturasse com outro, intimidando seus grandes olhos negros. Quis então que o lado que sobrava na cama fosse preenchido por um metro e setenta e dois, cabelos escuros e perfume que se espalha entre as quatro paredes. Quis então aquele ombro no meio da noite, aquela voz logo de manhã, aquelas mãos que escorria pela cintura. Quis então que fosse até a eternidade, mesmo sabendo que tudo é efêmero, mas quis acreditar que duraria, ao menos, por aquela noite, se arrastando pelas próximas quatro semanas e assim sucessivamente. Quis então ser de alguém, ter alguém. Quis se desmanchar, passou da tequila para o vinho, da pedra para a flor.
24 agosto, 2014
Menina Lisbela.
24 agosto, 2014






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