20 setembro, 2014

E floresceu.

20 setembro, 2014

Parecia ter tropeçado em um espelho e dado de cara com o que era por dentro. Mágoas, princípios, desejos, amores e desamores. Então quis se despir daquele traje que dizia guardar alguém forte feito pedra. E se despiu. Esqueceu os receios, enfrentou os traumas e emoldurou a face com um sorriso bordado, costurado de canto a canto. Quis então que a vida fosse leve, com mais reticências e menos aspas. Quis então que, cruzando aquela esquina de todos os dias, seu riso se misturasse com outro, intimidando seus grandes olhos negros. Quis então que o lado que sobrava na cama fosse preenchido por um metro e setenta e dois, cabelos escuros e perfume que se espalha entre as quatro paredes. Quis então aquele ombro no meio da noite, aquela voz logo de manhã, aquelas mãos que escorria pela cintura. Quis então que fosse até a eternidade, mesmo sabendo que tudo é efêmero, mas quis acreditar que duraria, ao menos, por aquela noite, se arrastando pelas próximas quatro semanas e assim sucessivamente. Quis então ser de alguém, ter alguém. Quis se desmanchar, passou da tequila para o vinho, da pedra para a flor.

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